Um blog que se propõe a falar de sexualidade pode suscitar uma pergunta bastante óbvia:
Mas, afinal, vou ler sobre o quê?
Você vai me ensinar a transar?
Talvez a pergunta faça sentido. Afinal, a ideia de que sexo e sexualidade são a mesma coisa é provavelmente o primeiro preconceito de quem chega por aqui.
No máximo, costumamos associar sexualidade à identidade sexual: se uma pessoa é heterossexual, homossexual, bissexual. Mas sexualidade é muito mais do que isso.
E é justamente para ampliar esse olhar que escrevo estes textos.
Comecemos pelo sexo.
Segundo o dicionário Michaelis, sexo pode ser definido como o conjunto de características estruturais e funcionais a partir das quais um animal é classificado como macho ou fêmea, homem ou mulher.
Até aqui, nada muito surpreendente.
Mas o dicionário apresenta também outro significado: sexo como instinto, atração sexual ou sua manifestação na vida e na conduta. É o sexo que aparece quando dizemos “quero fazer sexo” ou quando afirmamos que alguém “exala sexo”.
E é aqui que eu quero chegar.
Sexo pode se referir ao corpo, às características sexuais e às diferenças entre machos e fêmeas. Mas também pode significar atração, desejo e, no uso cotidiano, o próprio ato sexual.
E a sexualidade?
A sexualidade é um conceito mais amplo.
É claro que ela envolve o sexo e as experiências sexuais. Mas não se resume a elas.
Quando falamos de sexualidade, falamos também de desejo, fantasias, sentimentos, sensações, expectativas, vínculos e das interpretações que cada pessoa atribui às suas próprias experiências.
Pense na sua última relação sexual.
Ela não começou necessariamente no momento em que os corpos se encontraram. Talvez tenha começado muito antes: em uma fantasia, em uma mensagem, em um olhar, na expectativa de encontrar alguém, na vontade de ser desejado.
E também não terminou necessariamente quando o sexo acabou.
Pode ter deixado uma sensação de prazer, de satisfação, de intimidade. Pode ter provocado ansiedade, dúvidas, culpa ou simplesmente vontade de repetir.
O ato sexual é apenas uma parte dessa experiência.
É por isso que falar de sexualidade é falar de muito mais do que sexo.
É falar sobre como nos relacionamos com nosso corpo, com o prazer, com o desejo, com o outro e, de certa maneira, com nós mesmos.
É também falar sobre aquilo que nem sempre é imediatamente visível.
Porque, quando o assunto é sexualidade, existe muito acontecendo nas entrelinhas.
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